Quirinas: quando quem sempre esteve presente finalmente ganha voz

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Por muito tempo, a literatura brasileira contou histórias dentro de casas, ignorando quem as mantinha funcionando. É a partir dessa ausência que nasce o livro “Quirinas: a trabalhadora doméstica como protagonista na literatura brasileira contemporânea”, de Mariana Filgueiras. A obra investiga como trabalhadoras domésticas foram representadas, ou apagadas, na literatura ao longo de mais de 160 anos.

A conclusão que a autora trás não é nada cômoda. Essas personagens, que quase sempre aparecem como coadjuvantes, não possuem nomes e histórias próprias, e estão presas a estereótipos. Mesmo sendo uma presença constante na vida social brasileira, raramente foram tratadas como protagonistas.

Um dos dados que mais impacta na pesquisa é que a primeira protagonista trabalhadora doméstica na literatura brasileira surge apenas em 2018. Isso revela um descompasso evidente entre a realidade e aquilo que a literatura escolheu retratar.

Além de analisar a literatura, Quirinas propõe uma reflexão importante: quem tem o direito de ser contado como sujeito de uma história? E o que significa quando determinadas experiências são sistematicamente deixadas de lado? Ao olhar para produções contemporâneas que começam a mudar esse cenário, a obra também aponta para uma transformação em curso, impulsionada por novas vozes e novas perspectivas.

Para além da crítica literária, o livro ajuda a entender como desigualdades de classe, raça e gênero atravessam a forma como construímos narrativas sobre o país. Porque no fim não se trata apenas de literatura, mas de visibilidade, reconhecimento e lugar de fala.

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Quirinas – Editora Pangeia


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