Trabalhadoras domésticas aparecem em muitos livros, HQs e filmes, mas nem sempre são reconhecidas como protagonistas dessas histórias.
Neste post, destacamos quatro obras em que empregadas, babás e cuidadoras estão no centro da trama, revelando tanto a exploração quanto a força, os afetos e as estratégias de resistência que marcam o trabalho doméstico no Brasil.
“Suíte Tóquio”, de Giovana Madalosso (livro)
“Suíte Tóquio” acompanha duas narradoras: Maju, babá de Cora, e Fernanda, mãe da menina e profissional de classe alta. Quando Maju decide fugir com a criança, a história expõe tensões de classe, a precariedade e a solidão das trabalhadoras que criam filhos de outras mulheres, ao mesmo tempo em que lutam para sobreviver e serem reconhecidas para além da função de cuidadoras.
Disponível de graça em MEC Livros
“Confinada”, de Leandro Assis e Triscila Oliveira (HQ)
“Confinada” é uma HQ que nasceu nas redes sociais e acompanha Fran, influencer branca de elite carioca, e Ju, sua empregada doméstica, confinadas juntas em um apartamento durante a pandemia. A partir do contraste entre o luxo da patroa e o quartinho de empregada, a obra escancara racismo, privilégio branco e desigualdade de classe, mostrando como as trabalhadoras domésticas foram afetadas de forma mais dura pela crise sanitária – com redução de salários, exposição ao vírus e pouca proteção.
Disponível de graça em MEC Livros
“Que Horas Ela Volta?”, dirigido por Anna Muylaert (filme)
No filme “Que Horas Ela Volta?”, Val deixa a filha Jéssica no interior de Pernambuco para trabalhar como babá e empregada doméstica em uma casa de classe alta em São Paulo, criando o filho dos patrões como se fosse seu. Quando Jéssica chega à casa para prestar vestibular, sua postura questionadora rompe as regras silenciosas da relação patroa–empregada, abrindo fissuras na hierarquia da casa e revelando as fronteiras entre quem pode ficar na sala e quem está destinada à cozinha e ao quartinho.
“Solitária”, de Eliana Alves Cruz (livro)
Em “Solitária”, acompanhamos Eunice, empregada doméstica, e sua filha Mabel, que vivem e trabalham em um condomínio de luxo, morando no próprio local de trabalho. A partir de um crime na casa dos patrões, o livro desmonta o mito da “empregada como quase da família” e mostra como o trabalho doméstico, muitas vezes herdado de gerações de mulheres negras, continua marcado por hierarquias raciais e espaços de confinamento, como o quartinho de empregada.